Lula diz que humanidade não aprendeu “lição” com a pandemia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (17.jul.2023) que a humanidade não aprendeu “dura lição” com a pandemia de covid-19. O petista discursou na abertura da 3ª Reunião de Cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) – UE (União Europeia). Ele declarou também que a Amazônia não pode ser vista só como “santuário ecológico”.

“A pandemia passou, mas a humanidade parece não ter aprendido a dura lição. Mantivemos os hábitos irresponsáveis de consumo, incompatíveis com a sobrevivência do planeta. A desigualdade só fez crescer: os ricos ficaram ainda mais ricos, e os pobres ainda mais pobres”, declarou.

Lula também criticou quem nega que haja mudança climática e disse que, mesmo quem não o faz, hesita em tomar atitudes concretas.

Sobre a Amazônia, o petista repetiu a promessa de acabar com o desmatamento na floresta até 2030, mas disse que é preciso respeitar a qualidade de vida dos amazônidas.

“Proteger a Amazônia é uma obrigação. Vamos eliminar seu desmatamento até 2030. Mas a floresta tropical não pode ser vista apenas como um santuário ecológico. O desenvolvimento sustentável possui três dimensões inseparáveis: a econômica, a social e a ambiental. O mundo precisa se preocupar com o direito de viver bem dos habitantes da Amazônia”, disse.

Fonte: Poder 360

Brasileiro elogia cachorro nos EUA, irrita dono e é assassinado a tiros

Um brasileiro que trabalhava como entregador de flores na cidade de Oakland, nos EUA, foi assassinado a tiros após elogiar um cachorro. O tutor do animal não gostou da interação e disparou à queima-roupa.

Matheus Martines Gaidos, 27, mudou-se porque tinha medo da violência no Brasil e buscava uma vida melhor. Ele morava nos EUA havia cinco anos e pretendia voltar para seu país natal em agosto.

O assassinato aconteceu na última quinta-feira (22). Matheus conversava no celular com um amigo brasileiro, que relatou ter ouvido o comentário “bom cachorro”, disse a mãe da vítima, Isabel Martines, à emissora americana KTVU Fox 2. A fala iniciou uma discussão com o tutor do animal.

Imagens de uma câmera de segurança mostram que o homem deu um tapa no rosto de Matheus, que reagiu jogando flores. Em seguida, o criminoso sacou uma arma e atirou à queima-roupa. O brasileiro chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O atirador e uma mulher que o acompanhava foram detidos.

Os pais de Gaidos viajaram para Oakland na sexta (23), assim que souberam da morte do filho. Eles disseram que o brasileiro fazia a última entrega do dia e descreveram o assassinato como cruel. “Não sei explicar a dor. Não sei o que fazer. Estou destruída por dentro”, disse Isabel Martines ao KTVU Fox 2.

Isabel contou que costumava visitar o filho todos os anos. A próxima viagem estava planejada para setembro. Ela disse que Matheus a recebia com flores toda vez que chegava na cidade.

“É difícil perdoar algo assim”, disse o pai, Antonio Gaidos. “Queremos justiça. Não queremos ver isso acontecendo com outra pessoa”, acrescentou.

Amigos descreveram Matheus como um “cara do bem” e tranquilo. Guilherme Silva, que também trabalha como entregador em Oakland, disse que ambos se mudaram aos EUA porque achavam o Brasil perigoso.

“[A próxima vítima] pode ser qualquer um de nós. Pode ser outro amigo. Agora, não achamos que estamos mais seguros aqui”, disse Dario Pacheco, outro amigo da vítima.

Em junho do ano passado, a Suprema Corte dos EUA, de maioria conservadora, decidiu que o porte de armas em público não pode ser restringido por leis estaduais. A sentença abriu espaço para que mais pessoas armadas circulem pelas ruas, num momento em que o país debate formas de evitar novos assassinatos a tiros.

A Suprema Corte considerou inconstitucional uma lei de 1913 do estado de Nova York que determinava que pessoas interessadas em andar com uma pistola nas ruas tivessem de apresentar uma justificativa para tal. A maioria dos juízes, por 6 a 3, decidiu que restrições como essa vão contra a Segunda Emenda da Constituição americana, que garante aos cidadãos a posse e o porte de armas.

Foto Reprodução- Redes Sociais

Por Folhapress

Titanic: passeio em submarino desaparecido que levava turistas até destroços custa R$ 1 milhão

Um submersível usado exclusivamente para transportar turistas até os destroços do Titanic desapareceu no Oceano Atlântico. Por enquanto, ainda não foi revelado quantos pessoas estão a bordo da embarcação. A Guarda Costeira de Boston disse à BBC na manhã de segunda-feira que está procurando o navio.

Criada em 2009, a empresa OceanGate oferece um passeio ao ponto do naufrágio, que leva oito dias e custa cerca de US$ 250 mil, o equivalente a R$ 1,19 milhão. O pacote também pode incluir um mergulho de oito horas até os destroços da embarcação inglesa.

Titanic, operado pela White Star Line, afundou em sua viagem inaugural pelo Oceano Atlântico em 1912, após colidir com um iceberg. Mais de 1.500 pessoas morreram. O famoso naufrágio fica a 3.800 m no fundo do Atlântico. Os restos do maior navio da sua época ficam a cerca de 600 km da costa de Newfoundland, no Canadá.

OceanGate Expeditions, uma empresa privada que implanta submersíveis para expedições em alto mar, publicou recentemente nas redes sociais que uma de suas expedições estava “em andamento”.

submersível pode acomodar cinco pessoas, diz a empresa, que geralmente inclui um piloto, três convidados pagantes e especialista.

A empresa que opera o submersível desaparecido diz que está “explorando e mobilizando todas as opções” para trazer a tripulação de volta com segurança.

“Todo o nosso foco está nos tripulantes do submersível e suas famílias”, disse a OceanGate em um comunicado, que acrescenta ter recebido “extensa assistência” de “várias agências governamentais e empresas de alto mar” em seus esforços para restabelecer o contato com o submersível.

“Estamos trabalhando para o retorno seguro dos tripulantes”.

Mãe das crianças resgatadas na Colômbia ficou quatro dias viva, diz marido

A mãe das crianças colombianas, que ficaram 40 dias desaparecidas na selva, sobreviveu por quatro dias após a queda do avião. A informação foi revelada pelo pai das crianças, Manuel Ranoque. Ele afirmou que a informação foi dada por Lesly, a menina mais velha, de 13 anos.

“A única coisa que ela (Lesly) me disse é que a mãe estava viva por quatro dias, então antes de morrer a mãe disse a eles que, talvez, ‘iria embora [para sempre]’, vocês têm o seu pai, sabem do amor que ele tem por vocês”, disse Ranoque, em entrevista coletiva.

Ranoque disse que não conseguiu mais notícias em razão do estado de saúde das crianças, que não correm perigo, mas precisa de cuidados.

“Não é tão fácil perguntar, porque as crianças ficaram 40 dias sem comer bem, sem poder dormir direito, então não tive a oportunidade de conseguir muita informação”, disse Ranoque.

As crianças contarão sua própria história sobre o calvário, disse o pai dos dois irmãos mais novos neste domingo (11). As crianças, de 1 a 13 anos, sobreviveram a um acidente de avião em 1º de maio que matou sua mãe e outros dois adultos e foram encontradas na sexta-feira (9) na província de Caquetá após semanas de buscas por militares e comunidades indígenas.

A provação começou na madrugada, quando a aeronave Cessna 206, com sete pessoas, que fazia o trajeto entre o aeroporto de Araracuara, em Caquetá, e San José del Guaviare, cidade da província de Guaviare, emitiu um alerta de socorro por falha no motor.

“Eles vão contar suas histórias e vocês vão ouvi-los”, disse Manuel Ranoque, depois de visitá-los no hospital militar de Bogotá.

Brasil fica entre os últimos em prova internacional de alfabetização com 65 países

O Brasil ficou à frente de apenas quatro países em uma avaliação internacional de alfabetização aplicada em 2021 a estudantes de 65 países e regiões. Os dados do Pirls (sigla em inglês para Progress in International Reading Literacy Study) foram divulgados nesta terça-feira (16).

Foi a primeira vez que o país participou da avaliação, realizada pela IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement), uma cooperativa de instituições de pesquisa, órgãos governamentais e especialistas dedicada à realização de estudos e pesquisas educacionais.

A inclusão do Brasil no Pirls foi uma iniciativa do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No Pirls, os alunos brasileiros obtiveram uma média de 419 pontos. Esse desempenho fica acima apenas de Jordânia, Egito, Marrocos e África do Sul, este último com uma média de 288 pontos. É similar, por outro lado, ao resultado de Kosovo e Irã. Já países como Azerbaijão e Uzbequistão conseguiram resultados melhores que os do Brasil. Nenhum outro país da América Latina participou da avaliação.

Os melhores desempenhos foram aferidos em Singapura (587), Irlanda (577) e Hong Kong (573).

No Brasil, uma amostra de 4.941 estudantes do 4º do ano do ensino fundamental fizeram a prova. Ao ser realizada em 2021, reflete impactos da pandemia de Covid-19 e do consequente fechamento de escolas.

Dados da avaliação federal, o Saeb, do mesmo ano, haviam mostrado prejuízos do período nos resultados de aprendizagem dos estudantes de todas as etapas da educação básica, sobretudo entre os mais novos.

A pontuação média alcançada pelos alunos brasileiros localiza o país no nível baixo da escala de proficiência do Pirls. Quase 4 em cada 10 estudantes brasileiros não dominavam as habilidades mais básicas de leitura –não sabiam, por exemplo, recuperar e reproduzir um pedaço de informação explicitamente declarada no texto.

Em 21 países ou regiões, o percentual de estudantes sem qualquer domínio de compreensão leitora não passa de 5%. A exemplo de Irlanda (2%), Finlândia (4%), Inglaterra (3%), Singapura (3%) e Espanha (5%), de acordo com os resultados.

Os dados mostram que apenas 13% dos estudantes brasileiros podiam ser considerados proficientes em compreensão leitora, o que os colocaria em nível alto ou avançado de proficiência. Na Espanha e em Portugal, por exemplo, esse percentual atinge a marca de 36% e 35%, respectivamente.

O Pirls reforça o cenário de desigualdade no sistema educacional brasileiro. A diferença no desempenho médio entre os estudantes com alto nível socioeconômico e baixo nível socioeconômico no país foi de 156 pontos.

No nível internacional, essa diferença é de 86 pontos entre os dois grupos, ressalta o sumário executivo do estudo produzido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

Também há desigualdades no âmbito racial. Os estudantes autodeclarados brancos e amarelos possuem um desempenho médio em compreensão leitora de 457 pontos, enquanto os estudantes pretos, pardos e indígenas têm 399 pontos, em média.

Já o desempenho das meninas se sobressai na comparação com os meninos. Elas conseguem um resultado médio de 431 pontos, “significativamente superior ao resultado médio dos meninos”, de 408 pontos.

A amostra de estudantes brasileiros participantes foi colhida em 187 escolas públicas e privadas do 4º ano (trata-se, predominantemente, de alunos de 9 anos de idade).

O 4º ano de escolarização foi escolhido pela IEA por corresponder a uma fase em que os estudantes geralmente já consolidaram seu aprendizado em leitura e, assim, transitam do “aprender a ler” para o “ler para aprender”. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular estipula o 2º ano como meta para a alfabetização, já o PNE (Plano Nacional de Educação) colocou o 3º ano como base de corte.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promete apresentar em breve um novo pacto pela alfabetização na idade certa. A ação é considerada uma das prioridades da gestão na área da educação.

Por Folhapress

Estudante come obra de arte de uma banana colada com fita adesiva avaliada em R$ 590 mil em museu

Para alguns, a chance de ver uma banana colada na parede com fita adesiva é estar a uma curta distância de um momento sensacional da história da arte recente. Para outros, é um lanche atraente.

Na quinta-feira (27), um estudante de arte da Universidade Nacional de Seul descobriu que era do time que via a obra como um lanchinho, quando removeu a fruta – uma obra icônica do artista italiano Maurizio Cattelan – de uma parede do Leeum Museum of Art em Seul, Coréia do Sul, onde foi exibido. Então ele começou a devorá-la.

“O aluno disse ao museu que comeu porque estava com fome”, disse um porta-voz do museu à em um telefonema.

Intitulada “Comedian” (Comediante, em português), a obra se tornou um dos maiores momentos virais do mundo da arte ao ser vendida por US$ 120 mil na Art Basel Miami Beach, em dezembro de 2019. Duas outras edições da peça também foram vendidas na feira.

Depois de mastigar a fruta, o aluno colou a casca de volta na parede. A casca foi posteriormente substituída pelo museu por uma banana fresca.

“Aconteceu de repente, então nenhuma ação especial foi tomada. O artista (Cattelan) foi informado do incidente, mas não teve nenhuma reação a ele”, acrescentou o porta-voz do museu.

O trabalho faz parte da exposição individual de Cattelan, WE, que está em exibição no museu de Seul até 16 de julho. A própria banana é trocada regularmente a cada dois ou três dias e não está à venda.

Cattelan é conhecido por peças satíricas que desafiam a cultura popular, muitas vezes provocando debates em torno da arte conceitual.

Esta não foi a primeira vez que alguém pensou que a obra de arte estava pronta para ser colhida.

Depois que a primeira edição de “Comedian” foi vendida em 2019 , o artista performático David Datuna arrancou sem cerimônia a banana em exibição na galeria Perrotin na Art Basel em Miami e a devorou ​​enquanto espectadores atônitos assistiam.

Datuna gostou da façanha, postando no Instagram na época dizendo “Eu realmente amo esta instalação. É muito deliciosa”. Mais tarde, ele defendeu o ato, chamando-o de performance artística em entrevista coletiva e não de vandalismo.

Antes da venda de obras de arte, Perrotin disse à  que as bananas são “um símbolo do comércio global, um duplo sentido, bem como um dispositivo clássico de humor”, acrescentando que Cattelan transforma objetos mundanos em “veículos de prazer e crítica”.

O artista não forneceu aos potenciais compradores instruções sobre o que fazer quando a obra de arte começa a se decompor.

Em meio a crise, presidente do Equador autoriza posse e porte de armas para civis

Durante uma transmissão em cadeia nacional de televisão, o presidente do Equador, Guillermo Lasso, anunciou a autorização da posse e porte de armas para defesa pessoal como uma das medidas para combater a onda de insegurança no país.

Em meio a uma crise política que levou à abertura de um processo para seu impeachment, o presidente equatoriano decidiu ir à televisão apresentar na noite de sábado (1°), três medidas urgentes para combater o que chamou de “inimigo comum”, a insegurança causada pelo crime organizado e grupos de narcotraficantes no país.

“Modificamos o decreto que permite a posse e o porte de armas”, disse ele, detalhando seu uso seria permitido para “defesa pessoal de acordo com as exigências da lei e dos regulamentos”.

Também foi autorizado o uso de spray de pimenta para defesa pessoal.

“Estou tão preocupado quanto vocês com a insegurança”, disse ele, observando que a criação de uma operação conjunta das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Inteligência para a segurança do país.

Estado de Emergência por narcotráfico

O Equador declarou estado de emergência, a partir deste domingo (2), em três regiões do país atormentadas pelo tráfico de drogas e pela criminalidade, como o porto sudoeste de Guayaquil.

A medida permite que os militares tomem as ruas, e já foi utilizada três vezes no ano passado.

“Declaramos estado de emergência na zona 8, que inclui (as cidades de) Guayaquil, Durán e Samborondón, e nas províncias (costeiras) de Santa Elena e Los Ríos”, disse o presidente.

Por sessenta dias, essas cidades ficarão sob toque de recolher entre 1h e 5h da manhã. Além disso, ficará suspenso o direito de reunião nesses locais.

“Temos um inimigo comum: a delinquência, o tráfico de drogas e o crime organizado”, afirmou Lasso, que está no poder desde maio de 2021.

Violência da cocaína

Lasso anunciou as novas medidas após vários incidentes violentos nos últimos dias, incluindo assassinatos, o abandono de uma cabeça humana em um parque e o assalto a um banco em um centro comercial movimentado em plena luz do dia na cidade costeira de Guayaquil.

Na mesma cidade, os criminosos esta semana sequestraram um homem e horas depois o deixaram com um dispositivo explosivo preso ao seu corpo em uma rua de Guayaquil, uma das mais atingidas pelo crime. Foram necessárias mais de três horas para desarmar o dispositivo, que foi colado ao colete e à perna esquerda do homem, uma cena nunca dantes vista no Equador.

Entre a Colômbia e o Peru – os maiores produtores de cocaína do mundo – o Equador apreendeu um recorde de 210 toneladas de drogas em 2021, a maior parte de cocaína, destinada aos portos europeus.

As apreensões em 2022 excederam 200 toneladas de drogas em meio a confrontos entre quadrilhas de traficantes, que lutam pelas rotas do tráfico de drogas nas ruas e dentro das prisões.

Nesse período, as mortes violentas aumentaram. A taxa de homicídios quase dobrou entre 2021 e 2022, de 14 para 25 por 100.000 habitantes, conforme as autoridades.

Guayaquil, o centro comercial do país e onde a maioria das drogas é enviada, está entre as localidades mais atingidas pela criminalidade. Na zona 8, foram registradas 434 mortes violentas entre janeiro e meados de março, em comparação com um total de 1.151 assassinatos em todo o país.

Crise política

Os anúncios sobre segurança pública foram feitos em um momento de grande instabilidade política no governo de Lasso. Após aprovação da Justiça, teve início na última sexta-feira (31) o exame do processo de impeachment do presidente na Assembleia Nacional. Lasso e seu cunhado são suspeitos em um caso de corrupção que envolve a distribuição de cargos públicos.

Lasso, que assumiu a presidência em maio de 2021, nega as acusações. O presidente, representante da direita, tem 45 dias para evitar sua destituição em um Congresso em que a oposição tem maioria. 

Para piorar, na sexta-feira foi encontrado o corpo do empresário Rubén Cherres, homem que estaria implicado no caso de corrupção estatal. O corpo de Cherres estava junto do de outras três pessoas, dois homens e uma mulher, em Punta Blanca, na província de Santa Elena. Todos tinham marcas de balas e estavam com as mãos amarradas. 

Parlamento da Uganda aprova projeto de lei que criminaliza a identificação como LGBTQ+

Os legisladores de Uganda aprovaram, nessa terça-feira (21), algumas das leis anti-gays mais duras do mundo, tornando alguns crimes puníveis com a morte e impondo até 20 anos de prisão para pessoas que se identificam como LGBTQ+.

A nova legislação constitui mais uma repressão às pessoas LGBTQ+ em um país onde as relações entre pessoas do mesmo sexo já eram ilegais – puníveis com prisão perpétua. Ela visa uma série de atividades e inclui a proibição de promover e incitar a homossexualidade, bem como a conspiração para se envolver na homossexualidade, informou a Reuters.

De acordo com o projeto de lei, a pena de morte pode ser invocada para casos envolvendo “homossexualidade agravada” – termo amplo usado na legislação para descrever atos sexuais cometidos sem consentimento ou sob coação, contra crianças, pessoas com deficiência mental ou física, por um “ ofensor em série” ou envolvendo incesto.

“A pessoa que comete o delito de homossexualidade agravada e é passível, mediante condenação, de sofrer a morte”, lê-se nas emendas, que foram apresentadas pela presidente para os assuntos jurídicos e parlamentares Robina Rwakoojo.

O legislador da oposição Asuman Basalirwa apresentou o Projeto de Lei Anti-Homossexualidade 2023 ao parlamento, dizendo que visa “proteger nossa cultura religiosa; os valores legais, religiosos e familiares tradicionais dos ugandenses dos atos que provavelmente promovem a promiscuidade sexual neste país”.

“O objetivo do projeto de lei era estabelecer uma legislação abrangente e aprimorada para proteger os valores familiares tradicionais, nossa cultura diversificada, nossas crenças, proibindo qualquer forma de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e a promoção ou reconhecimento de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo”, disse Basalirwa nessa terça-feira (21).

O legislador Fox Odoi-Oywelowo se manifestou contra o projeto de lei, dizendo que “viola os padrões internacionais e regionais de direitos humanos estabelecidos”, pois “limita injustamente os direitos fundamentais das pessoas LGBTQ+”.

O grupo de defesa dos direitos Human Rights Watch (HRW) alertou no início deste mês que a lei violaria os direitos dos ugandenses.

“Uma das características mais extremas deste novo projeto de lei é que ele criminaliza as pessoas simplesmente por serem quem são, além de infringir ainda mais os direitos à privacidade e liberdades de expressão e associação que já estão comprometidos em Uganda”, pesquisador da HRW Uganda Oryem Nyeko disse em um comunicado que pedia aos políticos do país que “parassem de visar pessoas LGBT para obter capital político”.

Espera-se que o projeto de lei chegue ao presidente de Uganda, Yoweri Museveni, para aprovação. Museveni na semana passada ridicularizou os homossexuais como “desviantes”.

O sentimento anti-LGBTQ+ está profundamente enraizado na nação altamente conservadora e religiosa da África Oriental. Uganda ganhou as manchetes em 2009 quando apresentou um projeto de lei anti-homossexualidade que incluía uma sentença de morte para o sexo gay.

Os legisladores do país aprovaram um projeto de lei em 2014, mas substituíram a cláusula da pena de morte por uma proposta de prisão perpétua. Essa lei acabou sendo derrubada.

por cnn

Protesto na Colômbia contra petroleira deixa dois mortos e policiais reféns

Um policial e um civil foram mortos em protestos violentos na província de Caquetá, na Colômbia, na ultima quinta-feira (2). De acordo com o governo, 79 agentes e nove trabalhadores de um campo de petróleo foram feitos reféns por moradores de comunidades rurais.

A polícia colombiana afirma que o agente e o civil foram foram baleados. As autoridades acreditam que dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que rejeitam o acordo de paz de 2016 podem estar envolvidos nos atos.

A violência começou uma região da cidade de San Vicente del Caguán, onde moradores e integrantes de comunidades indígenas bloquearam acesso ao campo de petróleo para exigir que a petroleira Emerald Energy preste assistência no reparo de estradas.

A empresa, que é subsidiária da estatal chinesa Sinochem, não comentou o caso.

O presidente colombiano Gustavo Petro, que enviou agentes de segurança para a região, condenou a morte do policial no Twitter. Ele disse que os atos são influenciados por grupos que querem destruir o governo e mergulhar o país em uma guerra.

Petro afirmou que a Procuradoria-Geral vai investigar as mortes e pediu à Cruz Vermelha que preste assistência aos reféns. Ele cobrou que os manifestantes libertem os agentes de governo antes de uma nova escalada de violência.

Manifestações em áreas próximas a projetos de extração de petróleo e mineração ocorrem com frequência na Colômbia. As comunidades pressionam as empresas a realizar obras de infraestrutura, como a construção de estradas, e escolas.

Por Folhapress

Quase 5 mil casos de abuso sexual foram cometidos por membros da Igreja Católica de Portugal

A comissão independente que investiga os abusos sexuais na Igreja Católica de Portugal validou 112 testemunhos de vítimas em seu relatório final, em que é estimado um número mínimo que supera as 4,8 mil, conforme disse nesta segunda-feira (13) o coordenador do grupo, Pedro Strecht. “Não é possível quantificar o total de crimes”, disse o psicólogo, que garantiu que a maioria das vítimas foi abusada por mais de uma vez, de acordo com as conclusões da apuração feita pela comissão sobre os casos ocorridos na Igreja Católica nos últimos 70 anos em Portugal.

Do total de denúncias recebidas, o grupo encaminhou à Justiça apenas 25, porque a maioria já prescreveu, embora esteja sendo preparada uma lista de abusadores que ainda estão na ativa. A maioria dos autores dos abusos era do sexo masculino, em um total de 96%, e padres, em torno de 70%.

Os abusos aconteceram em seminários, centros de acolhimentos, escolas ou instituições esportivas. A média de idade das vítimas era de pouco mais de 11 anos, com a maioria tendo em torno de 52 atualmente.

Os crimes ocorreram em todo o país, com maior incidência em Lisboa, Porto e Braga. A comissão cobrou ações da Justiça local e pediu acompanhamento psicológico para as vítimas e a suspensão da prescrição dos crimes, que é de 30 anos.

 A Comissão divulgou nesta segunda-feira resultado de investigação sobre abusos na Igreja Católica portuguesa.

O grupo foi criado pela Conferência Episcopal Portuguesa no fim de 2021, sendo composta por seis especialistas, Pedro Strecht, que é psicólogo infantil, além de psiquiatras, um ex-ministro da Justiça e até um cineasta.

“Queremos que seja o início de um novo começo”, disse d. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal de Portugal (CEP), depois de assistir à apresentação da investigação sobre as quase 5 mil vítimas. “É uma situação dramática que vivemos, não é fácil ultrapassá-la”, admitiu o bispo de Leiria-Fátima.