Governo vai leiloar 50 aeroportos regionais entre empresas que já atuam no país

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem proposta do governo para ampliar investimentos em aeroportos da aviação regional sem ampliar gastos públicos. A ideia é transferir para os concessionários dos grandes terminais do país, como Guarulhos (SP) e Brasília, investimentos e operação de estruturas regionais. Em troca, esses operadores ganham mais prazos nos contratos atuais. Também haverá possibilidade de desconto no valor da outorga atual. A ideia do governo é leiloar ao menos 50 terminais nesse modelo.

O governo estima que, ao repassar os pequenos terminais para os operadores atuais, irá destravar R$ 3,5 bilhões na infraestrutura de aviação regional. Dos cerca de cem pequenos aeroportos administrados pela estatal Infraero, por prefeituras e estados, metade desperta interesse do mercado, na avaliação de técnicos do TCU.

— Vamos executar o maior programa de investimento em infraestrutura de aeroportos regionais — disse o secretário de Aviação Civil (SAC) do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, acrescentando que os planos anteriores fracassaram diante da falta de recursos públicos.

Veja alguns terminais na mira do governo

  • São Gabriel da Cachoeira (AM)
  • Eirunepé (AM)
  • Guanambi (BA)
  • Piracicaba (SP)
  • Mogi Mirim (SP)
  • Bacabal (MA)
  • Lençóis (BA)
  • Novo Progresso (PA)
  • Guarujá (SP)
  • Paulo Afonso (BA)
  • São Raimundo Nonato (PI)
  • Tucuruí (PA)
  • Caruaru (PE)
  • Serra Talhada (PE)
  • Cascavel (PR)
  • Pato Branco (PR)
  • Oiapoque (AP)
  • Guarapauva (PR)
  • Ponta Grossa (PR)
  • Americana (SP)

Prazo e receita extras

Para os operadores dos terminais, a oferta seria atraente porque os investimentos previstos ao longo do contrato são amortizados dentro do prazo da concessão. Se o prazo é prorrogado, em tese, a receita que entrar nesse período extra é do concessionário. Essa “folga” abre caminho para os operadores investirem nos aeroportos de menor porte.

A permissão foi a partir de uma negociação entre o governo e a concessionária de Guarulhos, costurada pela Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (SecexConsenso), criada pelo tribunal para incentivar acordos entre empresas e poder público.

As negociações iniciais previam as transferências de aeroportos regionais para a concessionária de forma direta, mas o pedido foi negado. O TCU autorizou, porém, o governo a fazer editais de concorrência para esses aeroportos.

A expectativa é que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) elabore o edital e coloque os termos em consulta pública ainda este ano. O plano é realizar os leilões ao longo de 2025 em blocos regionais com até seis terminais em cada um, explicou um técnico a par do assunto. Haverá investimentos mínimos exigidos para cada terminal leiloado.

Como novas obrigações serão incorporadas aos contratos vigentes, o edital deverá considerar vencedor quem oferecer o menor prazo no pedido de ampliação do contrato. O tempo máximo de prorrogação varia caso a caso, mas costuma ter um teto de cinco anos. Quem adquirir os pequenos terminais terá que se responsabilizar pela modernização, adequação, manutenção da infraestrutura e operação dos voos.

fonte: O Globo

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