‘Esperança’, diz paciente que precisa de 5 órgãos do mesmo doador após SUS incorporar procedimento

Se a espera pela doação de um órgão já é difícil, imagina precisar de cinco? Essa é a história de Luiz Perillo, 35 anos, que está na fila do transplante multivisceral. Ele precisa da doação de cinco órgãos diferentes de um mesmo doador.

Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou que incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o procedimento, o que significa orçamento e ampliação do atendimento no país.

Perillo tem trombofilia, uma doença causada por alterações na coagulação do sangue que aumentam a formação de coágulos, gerando tromboses. Ele passou por uma série de internações até que em 2018 a doença atingiu a veia porta, que recebe o sangue do sistema digestivo, e levou pouco a pouco os órgãos à falência.

A equação que pode salvar a vida de Perillo é tão complexa quanto ganhar na loteria:

  • ✅ Ele precisa de estômago, pâncreas, fígado, intestino e rim;
  • ✅ Todos os órgãos precisam estar intactos;
  • ✅ Precisam ser do mesmo doador;
  • ✅ Enquanto aguarda, ele ainda precisa se manter saudável para o momento da cirurgia.

 

🔴 E ele ainda tinha um adicional: até esta segunda-feira (24) o procedimento não fazia parte do protocolo do SUS. Isso significava que não havia investimento destinado para esse tipo de cirurgia, poucos hospitais faziam e, consequentemente, havia poucas vagas. Isso tornava a espera ainda mais longa.

Esse tipo de transplante é o mais complexo que existe na medicina. É uma cirurgia longa, que envolve uma grande equipe e precisa de um centro cirúrgico equipado. Ele é feito há 14 anos no país e, ainda assim, não tinha sido considerado pelo ministério para a incorporação – o que se tornou uma luta de pacientes, médicos e entidades.

Antes da incorporação, apenas seis estabelecimentos de saúde estão autorizados a realizar o procedimento, sendo que quatro deles atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e estão localizados nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Com isso, Perillo, que é de Brasília, teve que deixar sua vida na terra natal para vir a São Paulo, onde hoje mora.

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