No Líbano, irmãs brasileiras sofrem com a perda de parte da família atingida por um míssil: ‘Acabou com a minha vida’

Os ataques de Israel a regiões do Líbano continuaram durante a semana. Já são quase 800 mortos, entre eles pelo menos cinco brasileiros. O fotógrafo e documentarista Gabriel Chaim está no Líbano desde julho.

“A situação aqui está completamente fora do controle, e a população está toda fugindo desesperadamente. A multidão de carros na minha frente é impressionante. Eu só vi isso no Iraque, quando eu estava cobrindo a guerra em Mosul”, conta Gabriel Chaim.

A brasileira Raquel Chanarek Hamia perdeu quatro pessoas de sua família em um ataque. Na última sexta-feira, dia 27, Gabriel, com a ajuda de um tradutor, conversou com Leila Charanek Hamia, irmã de Raquel.

Leila tem 53 anos e nasceu em São Paulo. Seus pais eram libaneses que se mudaram para o Brasil. Tiveram três filhos: Leila, a irmã Raquel e o irmão Lutifi.

O irmão de Leila, Lutifi, também morreu em São Paulo. Ela e a irmã se mudaram para o Líbano um pouco depois de se casarem com libaneses. Raquel tinha 26 anos e Leila, 20. Os pais de Leila deixaram bens no Brasil. Ela e a irmã Raquel vinham tentando acessar alguns fundos que estão no inventário. As duas irmãs também queriam se mudar com a família para um lugar mais seguro.

No último dia 16, Leila fez um pedido à Justiça brasileira. No documento, ela solicitava “prioridade na tramitação” do caso, pois sua família corria risco de morte. Mas não deu tempo. Sete dias depois, um míssil atingiu a casa onde a irmã dela, Raquel, estava, no Vale de Beeca. Raquel sobreviveu, mas o marido Duraid, as filhas Latifa e Ghazale, e o neto Husni, todos morreram.

Israel bombardeia Beirute no maior ataque ao Líbano desde o início da guerra, e 9 morrem; Hezbollah lança 150 foguetes

O Exército de Israel bombardeou Beirute nesta sexta-feira (20), no maior ataque ao Líbano desde o início da guerra em Gaza, segundo fontes do governo libanês. Mais cedo, o Hezbollah disparou 150 foguetes contra o norte de Israel, em resposta às explosões de pagers e “walkie-talkies” do grupo extremista.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, nove pessoas morreram, e 59 ficaram feridas no ataque de Israel à capital libanesa. Já o porta-voz do Exército de Israel disse que cerca de dez comandantes do braço de operações militares do Hezbollah foram mortos no ataque.

Entre os mortos, está Ibrahim Aqil, um dos comandantes de operações militares do Hezbollah e o principal alvo do ataque a Beirute. Aqil era também procurado pelo governo dos Estados Unidos por ser suspeito de participar de um atentado à Embaixada dos EUA em Beirute em 1983 (veja imagem abaixo).

“Essa eliminação foi feita para proteger os cidadãos de Israel”, disse o porta-voz.

Mas a imprensa local afirmou que há crianças entre as vítimas e que prédios residenciais e carros foram danificados

Putin diz que Brasil, China e Índia poderiam mediar negociações de paz entre Rússia e Ucrânia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (5) que o Brasil, a China e a Índia poderiam atuar como mediadores em possíveis negociações de paz na guerra com a Ucrânia.

Falando no Fórum Econômico Oriental em Vladivostok, Putin sugeriu que um acordo preliminar alcançado entre negociadores russos e ucranianos nas primeiras semanas da guerra em negociações em Istambul, que nunca foi implementado, poderia servir de base para as negociações.

O presidente ressaltou, ainda, que a Rússia nunca recusou negociações de paz com a Ucrânia.

A agência estatal russa de notícias RIA disse, nesta quinta-feira, citando o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que a Rússia não vê nenhum pré-requisito para negociações de paz com a Ucrânia no momento.

Peskov também disse que as autoridades russas não estavam discutindo uma nova mobilização, informou a agência TASS.

Irã rejeita apelos da França, Alemanha e Reino Unido para conter tensões no Oriente Médio

O Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou nesta terça-feira (13) os apelos de França, Alemanha e Reino Unido por moderação em relação a Israel, afirmando que falta aos chamados “lógica política” e que eles “contradizem princípios do direito internacional”.

Os três países europeus haviam solicitado, em uma declaração divulgada na segunda-feira (12), que o Irã e seus aliados se abstivessem de ataques contra Israel em retaliação ao assassinato de Ismail Haniyeh, líder político do grupo palestino Hamas, em Teerã, no fim de julho.

Segundo o “The Wall Street Journal”, Israel colocou suas forças armadas em alerta máximo, e o Pentágono enviou um submarino com mísseis guiados para a região e está acelerando a chegada de do porta-aviões USS Abraham Lincoln, equipado com caças F-35, para incrementar as defesas de Israel.

Kanaani afirmou que o governo iraniano está determinado a desencorajar Israel e fez um apelo para que os países europeus se posicionem contra a guerra em Gaza e as ações bélicas de Israel.

Putin divulga condições ao fim da guerra; cúpula de paz começa amanhã

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira (14) que a Rússia cessaria fogo e entraria em negociações de paz se a Ucrânia abandonasse suas ambições na Otan e retirasse suas forças de quatro regiões ucranianas reivindicadas por Moscou.

Putin afirmou que a Rússia estava pronta para garantir a retirada segura das unidades ucranianas para que isso pudesse acontecer.

Ele fez os comentários na véspera de uma cúpula na Suíça, onde mais de 90 países e organizações devem discutir um possível caminho para a paz na Ucrânia. A Rússia não foi convidada e diz que a reunião é uma perda de tempo.

A Rússia controla quase um quinto do território ucraniano no terceiro ano da guerra, e a Ucrânia diz que a paz só pode ser baseada na retirada total das forças russas e na restauração de sua integridade territorial.

EUA interrompem envio de bombas a Israel por preocupação com operação em Rafah, diz autoridade americana

Os Estados Unidos suspenderam o envio de bombas para Israel em meio a preocupações sobre seu potencial uso em uma incursão em Rafah, segundo uma autoridade norte-americana.

A remessa, que foi retida na semana passada, inclui 1.800 bombas pesando 2.000 libras e 1.700 bombas pesando 500 libras.

“Estamos especialmente focados no uso final das bombas de 2.000 libras e no impacto que elas poderiam ter em ambientes urbanos densos, como vimos em outras partes de Gaza”, disse o funcionário.

No fim de semana que um carregamento de munição para Israel foi interrompido, mas o motivo não estava claro.

Os líderes israelenses alertaram durante semanas que uma invasão da cidade de Rafah, no sul de Gaza, ocorrerá em algum momento no futuro, mesmo quando os EUA e outros declararam publicamente que tal operação terrestre não deveria ocorrer.

A administração do presidente Joe Biden apelou a um plano abrangente para proteger mais de um milhão de civis abrigados em Rafah e evitar uma expansão da catástrofe humanitária que se desenrola no enclave costeiro.

Na segunda-feira (6), Israel realizou o que os EUA descreveram como uma operação “limitada” em Rafah, assumindo a passagem da fronteira com o Egito, que é um local importante para a ajuda humanitária.

“Esta parece ser uma operação limitada, mas é claro que muito disso depende do que vem a seguir”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Matt Miller, nesta terça-feira (7).

“Eles disseram, creio eu com bastante clareza, que não é segredo que querem conduzir uma grande operação militar ali. Deixamos claro que nos opomos a tal operação.”

Os EUA e Israel têm mantido comunicações regulares sobre os planos dos militares israelitas para conduzir uma grande operação terrestre na parte sul de Gaza, mas a administração deixou claro que os planos estão longe de estar prontos.

Ainda assim, o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou repetidamente que uma operação terrestre em Rafah é necessária para manter a pressão sobre o Hamas para libertar os restantes reféns e alcançar a vitória.

À medida que a liderança de Israel se aproximava de uma decisão final, os EUA começaram a rever propostas de transferências de armas específicas para Israel que poderiam ser usadas em Rafah, disse o funcionário dos EUA.

O processo de realização da revisão começou em abril e levou à pausa nos envios dos dois tipos de bombas.

“Não tomamos uma decisão final sobre como proceder com este envio”, disse o funcionário.

Entre as maiores armas convencionais do arsenal dos EUA, as bombas de 2.000 libras podem ter um impacto devastador, especialmente numa área densamente povoada como Gaza.

Em conflito com o Irã, Israel conta com tecnologia sofisticada de guerra

O êxito de Israel em interceptar o ataque iraniano, no final de semana, se deve a uma alta tecnologia de guerra do país do Oriente Médio.

Israel conta com pelo menos seis tecnologias que são referências no mundo e que podem ser exploradas em uma guerra direta contra o Irã.

Uma delas são os drones “Heron TP”. O país é hoje líder no desenvolvimento e uso de drones para reconhecimento, vigilância e ataques precisos.

Os drones podem operar em altas altitudes por períodos prolongados. E são cruciais para coletar inteligência em tempo real e executar ataques cirúrgicos sem risco para as forças humanas.

O país do Oriente Médio também conta com um dos aparatos cibernéticos mais avançados do mundo.

Em resposta a um ataque, como do Irã, a tecnologia pode desabilitar sistemas de defesa aérea, interromper comunicações e até mesmo infiltrar-se em redes para coletar informações ou causar desordem.

Israel ainda conta como três tipos diferentes de sistema antimíssil. O chamado “Domo de Ferro” é usado para a interceptação de mísseis de curto alcance.

O chamado “Estilingue de Davi” é aplicado para intercepções de médio alcance. E, para longo alcance, o “Flecha Três”.

Israel é perito no uso de inteligência artificial. Ela é usada para análises preditivas, ajudando na identificação de padrões de ataque ou na previsão de movimentos estratégicos inimigos.

Os algoritmos também podem ajudar na análise de imagens de satélite e dados de reconhecimento para identificar alvos potenciais com precisão. Outro sistema usado é o “Jamming”, que são equipamentos que podem ser utilizados para interferir nas comunicações e no controle de drones ou mísseis inimigos.

As tecnologias são consideradas essenciais para proteger áreas importantes e desorientar a coordenação do inimigo durante um ataque. Por fim, Israel conta com um aparato de robótica avançado. Os robôs já foram usados na Faixa de Gaza.

Eles atuam para desarmar bombas, realizar reconhecimento em áreas de alto risco ou até mesmo para patrulhamento. E reduzem a necessidade de presença humana em cenários perigosos e podem ser equipados com sensores e armas.

O advogado Ticiano Gadelha, especialista em tecnologia, explica que a tendência das guerras modernas é que se amplie a utilização de tecnologia para diminuir o risco de baixas.

“A incorporação de tecnologias indica uma crescente dependência de soluções tecnológicas. Ou seja, cada vez menos soldados estão presentes no campo de batalha”, afirma.