A “lista suja” do governo federal com nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão foi atualizada nesta quarta-feira (9), com 155 novas pessoas físicas (patrões) e jurídicas (empresas).
Agora, a relação conta com 745 nomes. Do total de novos empregadores inseridos, 18 foram em razão de trabalho análogo à escravidão em atividades domésticas.
As atividades econômicas com o maior número de empregadores inclusos na lista foram:
- Criação de bovinos (21);
- Cultivo de café (20);
- Trabalho doméstico (18);
- Produção de carvão vegetal (10);
- Extração de minerais diversos (7).
Entre os nomes está Ana Cristina Gayotto de Borba, esposa de Jorge Luiz de Borba, desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Eles são acusados de manter Sônia Maria de Jesus, que é surda e não aprendeu a Língua Brasileira de Sinais, em condições de trabalho análogas à escravidão por mais de 40 anos.
Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego, junto com o Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal, retirou a mulher de 50 anos da casa onde vivia desde criança.
Porém, ela voltou a morar na casa de desembargador em setembro de 2023, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/p/U/4TTYUXSme34FMoVBygTQ/sonia.jpeg)
Sônia Maria de Jesus — Foto: Reprodução
Quem também aparece no cadastro é Marcos Rogério Boschini, genro de um dos condenados pela Chacina de Unaí (MG), de janeiro de 2004, quando quatro funcionários do Ministério do Trabalho estavam a caminho de uma fiscalização e foram alvos de uma emboscada.
A atualização também promoveu a exclusão de 120 empregadores que completaram os dois anos de inclusão no cadastro, veja aqui a “lista suja”.

