
Protagonista em decisões que mudaram o curso da política nacional nas últimas décadas, o Supremo Tribunal Federal (STF) já foi autor de decisões que afastaram o presidente Lula (PT) da disputa presidencial de 2018 e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) do pleito deste ano. Com os desdobramentos do caso Banco Master, é a vez do Supremo estar no centro de uma crise, às vésperas das eleições.
Diante das tensões no Supremo, especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco analisam o reflexo da contenda da Corte no futuro do pleito, além de alertar para o papel central que a disputa por 54 vagas no Senado terá nos desdobramentos da crise. Isso porque o número de novos senadores que serão eleitos em outubro representa, justamente, o quórum necessário para o impeachment de um magistrado do STF.
A tensão na Corte escalou após o ministro do STF André Mendonça retirar o sigilo sobre um relatório da Polícia Federal que expõe trocas de mensagens entre o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro da Corte Alexandre de Moraes. A decisão abriu uma crise na Corte e expôs o magistrado.
A situação escalou em patamar sem precedentes após Moraes apresentar pedido de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News, além de determinar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja informada sobre o caso. Em seguida, foi a vez de Mendonça pedir ao presidente da Corte, Edson Fachin, para determinar o afastamento do colega.
Em meio ao tensionamento da Corte, o vazamento de mensagens e áudios envolvendo lideranças políticas e Daniel Vorcaro aprofundam ainda mais a dimensão da crise em plena corrida eleitoral.
Antissistema
O professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e cientista político Elton Gomes enxerga uma crise de “natureza colossal” no STF. Além de gerar perda de confiança nas instituições e uma “apatia política” por parte da população, o especialista aponta o fortalecimento de uma agenda antissistêmica, com efeito nas urnas.
“Terá impactos diretos sobre a escolha que as pessoas farão no dia 4 de outubro, principalmente para o Senado, o juiz natural dos ministros, que tenderão, diante desse quadro de escândalos flagrantes, a fortalecer candidaturas que, por exemplo, se comprometam com a restrição os poderes da Suprema Corte, das decisões monocráticas, estabelecer mandato para ministros – que deve ser a principal pauta para puxar votos e promover impeachment de ministros”, analisa.
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